quarta-feira, dezembro 14, 2005


The view from the living room of my new home: The wonderful Convento de Cristo in Tomar

terça-feira, dezembro 06, 2005

Keep in Touch

To my good friend Kristina Smotlakova.

Recently from re-reading application forms to diggings I came across an all time classic: "Motivation - I want to meet new people".
I have a friend that says that people in is life have become blurry figures, since so many came and go.
In the recent experience of a 3 month campaign digging Castanheiro do Vento, I came to understand completely what he meant.
If you are there to long you will see the movie on and on. People arrive, big friendships (for life), a magnificent environment, tears, laughs, party, people go away, tears, long hugs, "let us keep in touch", the end.
"Its normal" people say. But if we stop and reflect about this, we see that in fact, no one really gets to know no one. No one cares to build a friendship. Its the Diet Light relationship.
In the age were we have more contact possibilities ever, its were we have more quantity but less quality contact.
Diggings (as other activities like summer camps, etc) are all marked by this "Illusion and Euphoria" syndrome, which afterwards some come to regret.
As I work in Simulation, I came to understand that all is formed by Illusion and Reality. The two things come along together. All reality is built from illusion.
Lets see a good example. We all know that diggings are the spot were couples start and last from minutes to years.
I know a very young couple were she's from Portugal and he's from Germany and they're relationship is strong and good for 2 years now.
How can a love last like this? The answer would be like always, solid things are built mainly by past, present future and conscience. Isnt that why we archaeologists say that past is important?
It's from the heritage that we build when we are in love (passion - illusory time) that love can actually happen or not. For a love to endure we have to work it everyday in different ways. By words, gestures and so many other things.
There is were the secret relies.
We have an affinity at start, and then we just build more.
Sometimes we get tired of building or tired of the building itself. Like always its always good to take a rest. We make a pause and afterwards we see again if its better to build Troy II or if Troy I is still good to live in if we make some arrangements.
As I talk about love I can speak of course about friendship. It's relationships in general.
Its very ironic that people with interest in the past, kill theyre own personal heritage. The old though of "It only made sense there. Now its past".
When we go back to our life, the experience of the digging seems like a dream, to which we want, but we cant go back. Its only good memories. Past that we ourselves bury.
We forget mainly that the future depends only on us and on our will.
Things can make sense but in a new way.
Its interesting how sometimes it comes to make sense again. Sometimes we remember and ask "How is that guy going? and we get in contact again".
Im sure that when we meet again its never the same, but there is always something there.
It will be different from our expectations (the moment is not the same), but if we just let ourselves go we just create another moment (and that is how we have to face it).
Things make sense because we want them to make sense and this as much to do with a word, which I have a long love/hate relationship: Maturity (yes I also hate to say this).
This comes from experience. We cannot learn because someone teach or lecture us. We just have to live it.
In relationships or we truly believe in something and bet to win or we are only puppets on the strings of circumstance.
We blame what we can (distance, time, environment, the errors of someone else) so we can easly go out.
Doing this, we refuse responsability. Its easy.
Hard is to do the other way around and practice a big quality: Understanding.

Relationships dont depend on circumstances to last. They depend mainly on us and on our conscience to make things work. Or that or we fool ourselfs as we become more and more just another puppet: a thing.

segunda-feira, novembro 14, 2005

Eurydice! No!


Eurydice chiude l' occhi! Senti la mia voce! Ti Prego! Eurydice! (il grido immortale di Callas)
No sí poi fare niente di più. Eurydice stanka e persa ha scelto il suo camino. Non va a ritornare mai.
Cosa succede a me? La condonazione di piangere per tutto il sempre la decisione d'Eurydice? La sua propria scelta?
Ma questo significa...
Tutto en la vita è rimorsa e orrore?
Khronos, ti prego!

terça-feira, outubro 18, 2005

Página Architectures actualizada

Finalmente eis-me de bolta às noitadas de webdesign :D
A página architectures foi actualizada vejam aqui!!!!
É desbundar pessoal!
Amanhã....finalmente...fotos de Castanheiro (people mainly). Desde já aviso que algumas das que vimos projectadas em Freixo foram à vida juntamente com a minha HD do portátil :P

segunda-feira, outubro 17, 2005

Estou de volta!!!!

É verdade amigos. Estou de volta ao ciberespaço. Foi um interregno de meses, mas volto com novo vigor :D
Explico primeiro a razão desta pausa: estive 3 meses na escavação do sítio de Castanheiro do Vento (Horta do Douro, Vila Nova de Foz Côa). Foi um tempo muito duro mas também muito gratificante.
Gostaria de vos mostrar fotos mas... o meu portátil fez o favor de ter problemas, mais propriamente: o disco rígido entregou a alma ao criador, sob a forma de bad sectors.
Depois, foi todo o problema de voltar a engrenar noutro ritmo. Voltar a apanhar o passo da civilização. Demorei um mês!!!!
Mas eis-nos de volta. Não desisti. Sei que muitos blogs de arqueologia foram abaixo por desistência dos autores. O Gundisalvus no entanto, não acabou (embora este não seja um blog de arqueologia note-se).
Pensei muito nestes últimos dias por onde voltar a escrever neste espaço. São muitos os assuntos que me cruzam a cabeça. Estou a reler Mary Douglas Pureza e Perigo, grande obra de antropologia, e tenho reflectido sobre reconstrução, simulação, arqueologia, sociedade, enfim, muitas coisas que me atravessam a cabeça.
Mas penso que o interessante é sem dúvida os blogs. Pensei muito antes de voltar aqui a escrever. Olhava para a página como um filho abandonado a quem não sabia de que forma me aproximar para voltar a dar amor e carinho (o nurture inglês) a esta aventura que começou nem sei bem porquê. Aliás sei e esse é um bom caminho
Quando conheci os blogs achei que era uma onda. Eu não gosto muito de ondas (gosto no mar, na rádio..., mas não nas modas). Por isso estive um pouco afastado desta história.Depois por ouvir falar fiz uma busca na Internet, vi o que se ia fazendo e pensei:porque não?.
Tenho-vos a dizer que aquilo que considero mais gratificante da experiência é sem dúvida a prática da escrita. Penso que até já escrevi sobe isso aqui. Para mim que escrever resulta penoso (pelas regras todas e pela avaliação e por...) esta resulta como uma forma de libertação.
Nunca almejei grandes coisas com este blog. Fiquei até surpreendido por ter respostas de alguém. É que não estava à espera de grandes interacções e não divulguei por aí além este site pelos meus conhecimentos..
Mas a experiência da escrita resulta como de facto fascinante. Emociona-me escrever. Gosto. Gosto de pensar sobre a utilização destes pontos ou não, sobre os parágrafos, sobre as virgulas, sobre os dois pontos. É engraçado experimentar este código, enquanto isso mesmo: código. Uma matriz que se pode jogar a reordenar e a brincar.
O entendimento é diferido. Muitas vezes sei perfeitamente que o que escrevo se torna inteligível, mas esse facto para mim é estimulante. Tenho a confessar que escrever é para mim um acto diferente. Não escrevo para os outros, no sentido de traduzir o meu pensamento para alguém. Como acho que muito é perdido na tradução, prefiro fazer uma escrita do pensamento, ideias que correm no papel. É lógico que não é o meu cérebro e que logo existe uma tradução. Mas é o desenvolvimento do meu raciocínio nesse papel. Sem preocupações sobre o modo como ele está mais claro ou não. É como ele sai: a jacto. Apesar de reler depois para ver se não tem erros.Mas reler aborrece-me muito. É como repisar. É muito chato. Detesto reler-me. Corrigir-me é talvez do mais chato que pode haver. É como ter de meter a marcha atrás na estrada, quando estamos tão contentes a apreciar o caminho :)
Outra coisa a que me rendi absolutamente: os smileys e emoticons. Adoro esta comunicação. É tão essencial como a pontuação.
E é assim... estou de volta ;)

domingo, agosto 14, 2005

4:42 Pessidónio Fig. Foz

Pois é.
A campanha de Castanheiro tem avançado a todo o vapor.
Preparem-se para surpresas.
Este blog tem estado parado sobretudo por culpa do dito avanço.
Uma chamada de atençõ para o Google Earth. É um software que promete acabar com uma certa ditadura quer dos SIG quer dos produtores de informação geográfica.
É fazer o download o quanto antes.
Por mim parto para uma semana mais relaxada.
Escrevo-vos da discoteca Pessidónio á hora indicada. Grande espaço de toda a minha vida nocturna na minha hometown.
É dar por cá uma saltada. Quem sabe se não nos encontramos.
Na próxima semana estaremos de volta ao sítio. Uma estação espetacular que nunca nos deixa de surpreender.
Já agora um grande obrigado a todos aqueles que têm ajudado a fazer desta campanha uma das melhores de sempre (senão a melhor).
Para os que participaram (e para os que ainda não entraram) saibam que em Castanheiro podem encontrar uma casa para a realização dos vossos sonhos e dos vossos projectos.
Bem hajam!!!!!

sexta-feira, junho 24, 2005

Acelerar para não sair do mesmo lugar

Para além de sentir uma certa claustrofobia face ao movimento centrípeto que abordei no texto anterior, existe um outro fenómeno que me preocupa e que penso ser altamente condicionador: a formalização do discurso arqueológico.
Trata-se de um fenómeno que se manifesta na estruturação dos estudos, na ilustração, na mensagem e nos meios aliada à dita focalização absoluta no resto material.
É um mecanismo de controlo total muito de acordo com a sociedade Gutenbergiana. Não é qualquer um que faz um livro. Este implica uma série de conhecimentos que vão do pensar, ao escrever e por fim o imprimir. Estes não estavam ao alcance de todos.
Da mesma forma a arqueologia da era do livro exigia que se formalizasse o discurso de um modo cientifico, analisando tudo segundo um método minucioso.
Não sei se por condicionalismos do meio ou da era, o que é certo é que se reconhecia que também era necessário explicar, o que vem a dar origem a um paradoxo actual.
É como se existissem dois mundos separados. Um aborda de um modo extremamente rigoroso o resto material da presença humana. Outro ruma à fantasia, numa replicação das melhores bandas desenhadas sobre a antiguidade (clássica ou não).
Sempre achei curioso como face a descrições tão minuciosas, complexas e completas se seguiam hipóteses e explicações tão simples.
O mundo era habitado por seres tão românticos que poderiam ter saído de um livro de Alexandre Herculano.
Durante todos estes anos os pré (e proto) históricos vestem-se de um modo muito similar. Uns à melhor fashion Flinstone, outros ao melhor estilo Conan o Bárbaro.
Eu sempre gostei do estilo criativo como as personagens deste último livro eram criadas, mas sempre achei curioso os pés de barro de todos estes quadros e sobretudo a incoerência de descrever ao milímetro uma estrutura, para na mesma obra a povoar de candidatos a Conan.
Hoje há claramente um fenómeno de reprodução do discurso, onde já é difícil ver onde está o ovo e para onde fugiu a galinha. Quero com isto dizer que (por exemplo) não sei se as ilustrações que pairam sobre os museus actuais são um objectivo de transmitir uma mensagem, dita cientifica, traduzida numa fábula ou se esta está de tal modo intrincada já na imaginação de todos que a mensagem cientifica é já em sim uma rábula.
È sem dúvida extraordinário que se vejam monografias completas, que visam estabelecer uma tese sobre um assunto, ocupadas com um discurso formal de descrição exaustiva, seguindo uma forma pré determinada. Os desenhos seguem uma norma padrão que não é de todo quebrada. A tintagem com o jogo branco e negro, a representação segundo determinados princípios universais, tudo isto resulta como um espartilho que não é de todo do interesse da melhor comunicação.
Na idade do pró-consumidor (alguém que produz os seus próprios conteúdos de um modo livre) esta barreira torna-se um obstáculo que forçosamente se vai ultrapassar.
O cineasta Jean Rouche dizia que a câmara de filmar era uma arma. Sendo assim, hoje a metralhadora é o multimédia.
O multimédia é a hipótese de utilizar “vários meios” numa confluência de fluxo de informação em que se conjugam diversas entidades, e em que a forma final é sobretudo a de imagens em movimento (um texto que vai rolando no ecrã, acaba por se transformar numa destas múltiplas imagens).
Temo no entanto que a arqueologia da era da informação seja a utilização desta multimédia para a reprodução do mesmo de sempre. Não sei como se poderia quebrar este círculo vicioso. A aceleração leva à caricaturização.

sábado, junho 11, 2005

A Arqueologia, é a arqueologia, é a arqueologia, é a arqueologia

A frase do David Clark (1968) ainda soa nos ouvidos.. Ela reflecte contudo dois movimentos paradoxais, uma força centrípeta e outra centrifuga.
Talvez a que tenha saído mais reforçada seja a primeira forma. Hoje os arqueólogos centram-se sobretudo na sua prática. Continua a haver uma enorme curiosidade pela técnica e método arqueológico.
Isto levou também a algum exagero por parte de alguns mais entusiastas (tanto que por vezes que chegam a parecer fundamentalistas).
Aí passamos a ter o realce mítico de determinadas figuras,: o campo, as botas, a picareta. Imaginário falseado que oculta um trabalho muito mais abrangente.
Esta mitologia possui os seus vilões (o arqueólogo barrigudo, o arqueólogo que não se quer sujar, o tipo que nunca escavou na vida) e os seus heróis (basicamente o arqueólogo de campo).
A prática manifesta-se por uma espécie de concurso pela Descoberta. Será esta que move a ciência e em particular a arqueologia. A descoberta é a chave que abre o caminho para o passado. É como que um palco que vai sendo progressivamente iluminado por uma série de focos, que se acendem à vez.
Podemos falar então correntemente de um paradigma da descoberta. Tudo é orientado para descobrir. Mas descobrir o quê?
A resposta parece ser óbvia: o resto material do passado. Uma materialização efectivada pela estação e pelo artefacto. O prémio desta arqueologia da descoberta éencontrar o novo, a luz mais forte e mais recente, a prova que ajuda a complementar o quadro de conhecimentos.
Trata-se de um resto da Idade Moderna, do espírito do coleccionismo e do Antiquarismo. Busca-se o elo perdido, a peça fundamental, a descoberta fantástica. É o vestígio da época das explorações.
Este é como dissemos de inicio o movimento extremo de uma arqueologia que se volta para o seu centro, e que avança cada vez mais para dentro de si. Há mais elementos que se podem enquuadrar neste movimento, mas para ilustrar a ideia e de modo a tornar este texto breve (afinal isto é um blog), fiquemos por aqui.
Ao mesmo tempo temos um movimento centrifugo, que avança sobretudo numa direcção externa. Talvez o sintoma mais extremo desta arqueologia tenha sido o que se apelidou como arqueologia contextual ou pós-processual, no que se baseou essencialmente como uma mudança rumo à Teoria.
A força centrifuga empurrou alguns numa procura desenfreada pela filosofia, pela epistemologia. Desenvolveram-se inúmeros trabalhos de arqueologia teórica, que passavam por uma série de referências que seriam exteriores à disciplina.
As caricaturas residem nos dois extremos. Mas dicotomizar é sempre perigoso.
Não vamos fazer aqui o discurso da conciliação das arqueologias. Até porque o achamos redutor e perigoso. Talvez faça mais sentido também aqui passar por uma estratégia de obviação (vide Ingold 1998).
Tal estratégia é uma obra de futuro. Não cabe no que é apenas uma pequena chamada de atenção num blog.
Já ouvi várias vezes a frase de Abel Salazar "Quem só souber de Medicina, nem de Medicina sabe". Parece-me que todos nós devíamos ter isto em conta. As pontes (ou as redes) estão aí para ultrapassar as fronteiras. Mas ao mesmo tempo esquecer o que a arqueologia tem de mais rico e interessante seria também um erro.
O que me apaixona em arqueologia é o modo como podemos ligar-nos com um sem número de questões, que envolvem o passado, o Homem, o Meio, no qual podemos aplicar um sem número de técnicas.
No meu caso em concreto desde cedo que aliei duas paixões diferentes: os chips e a arqueologia. De tal modo que não vejo dissociações. Quando agora partir mais uma vez para Freixo de Numão (Vila Nova de Foz Côa), lá levarei mais uma vez uma parafernália de objectos ditos tecnológicos. Para mim fazem tão parte daquela realidade, como o colherim, o carrinho de mão ou a picareta.
O trabalho em Castanheiro do Vento desenvolve-se com vários instrumentos, que vão desde a estação total, passando pela câmara fotográfica (agora digital) até ao célebre kit do colherim, balde, pincel, pá, tesoura.
Mas também sei que o que envolve este objectos é apenas a técnica. São elementos de trabalho. Não são o fim em si.
O trabalho desenvolve-se de vários modos, nomeadamente nas conversas de almoço e jantar.
É uma realidade total, no sentido durkheimiano. Algo que é complexo e que envolve uma riqueza que vai da descoberta da estrutura até à leitura de bibliografia exterior.


Bibliografia:

Clarke, David L. 1968 Analytical archaeology. London: Metheun.
Ingold, Tim 2001 From complementarity to obviation: on dissolving the boundaries between social and biological anthropology, archaeology and psychology, in S Oyama, P E Griffiths and R D Gray Cycles of contingency: developmental systems and evolution, Cambridge, Mass.: MIT Press, pp.255-279