"Esta paisagem é um manuscrito com a frase mais bela cortada"
Fernando Pessoa, A Hora Absurda
segunda-feira, abril 09, 2007
"Novas Independentes nos esperam"
O caso Universidade Independente trouxe à luz do dia várias questões. Num artigo de opinião recente intitulado "Novas Independentes nos esperam" Paulo Peixoto alertava para os perigos da liberalização do Ensino Superior (Publico 4/4/2007). É uma boa reflexão agora que nos inclinamos para novas formas de gestão dos estabelecimentos de ensino superior.
Mesmo que o Governo decida hoje que a Independente pode continuar (com um Reitor que será próximo do Governo mas com um perfil algo diferente do que a tutela desejaria) existem já danos para a instituição que poderão ser irremediáveis. Isso afectará talvez a imagem de outras instituições já afectada por um outro caso (Moderna).
Existem Universidades privadas de méritos reconhecidos. Algumas ultrapassam mesmo instituições de Ensino Superior publicas. O sucesso da Universidade Católica, sobretudo na área da Gestão, demonstra que o ensino superior privado não é sinónimo de falta de qualidade. Mas infelizmente é a excepção que confirma a regra.
E vem novamente ao de cima o dualismo entre a liberalização e a regulamentação. A pergunta aqui tem de se centrar apenas num elemento: qual garante qualidade? Sendo que essa qualidade é a garantia de futuro para o país (e o debate é muito semelhante ao da liberalização de outras áreas, como a que assistimos na arqueologia).
Poderá uma universidade privada ser uma universidade de qualidade? Sim pode, mas essa qualidade tem de ser exigida ou pelo mercado ou pelo Estado. Sinceramente acho que a força do mercado seria determinante pois consegue ser bem mais poderosa do que a força do Estado. Mas só um cândido pode acreditar que o mercado é simples e se rege pelo boa-vontade. O mercado não é bom nem é mau: é. Porque é composto por pessoas e estas não possuem um traço fundamental bom ou mau (a essência do ser-humano é ser).
O papel do Estado é exactamente esse de poder conduzir o mercado para o que pode ser o bem-comum (como na estátua em que um poderoso garanhão é domado por um ser humano).
Em Portugal o mercado (ou seja nós) não exige qualidade. Exige quantidade e baixo preço. O nosso mercado reflecte a lógica que impusemos às populações. Elas foram conduzidas neste modelo, baixo custo/baixo preço/em quantidade. Sair cedo da escola para trabalhar. Ganhar dinheiro para poder alimentar alguns sonhos à medida da (pequena) bolsa. Fazer pela vida.
Esta foi a receita do abandono escolar. Na Escola hoje como no passado, quem quer estudar é o "marrão", o "idiota", o "nabo". Aquele que não sabe nada da vida.
Em Portugal as pessoas fazem pela vida desde cedo sem pensar bem nas consequências. Vive-se no domínio da dicotomia teoria/prática com privilégio para a segunda via. O elogio da prática é o elogio do fazer pela vida. O elogio da teoria reforça apenas esta divergência. A Technê e a Poiesis foram desmembradas. E por isso mesmo é que desconfiamos tanto de quem possa saber. Por isso é que os doutorados não entram nas empresas. Aquele era o marrão que não sabe da vida face ao empresário que a ganhou a pulso. A dualidade reforça-se e a oportunidade perde-se. É uma luta pelo poder através do saber. Afinal quem sabe manda, mas continuamos perdidos sobre o que significa saber (Teoria...Prática...). Enquanto não ultrapassarmos esta divisão não estamos à altura do desafio.
Tal como a nossa pesca nunca passou de arte a tecnologia, podemos afirmar que nunca fomos modernos. Logo estamos condenados a uma espécie de pós-ante-modernidade.
O saber não se articula com o fazer. Por isso mesmo reforçaram-se as Ordens. O corporativismo tornou-se o arauto da qualidade e da regulamentação ante o Estado e o Mercado. As licenciaturas em Engenharia tornaram-se a caricatura de tudo isto.
Ainda me lembro da Engenheira Fábia. A história conta-se rapidamente. O Gabinete de Informática do IPT indicou-me uma loja de informática que prestava bons serviços. Disseram-se para contactar a Engenheira Fábia. Pensei logo que se trataria de alguém formado em Engenharia Informática que poderia prestar a melhor assistência aos meus problemas. Pensei "Que sorte, temos uma casa de informática que presta serviços de qualidade e com acompanhamento profissional!!". Cheguei à loja. O espaço era igual ao de muitas lojas de informática. Uma jovem estava no balcão. Perguntei pela Engenheira Fábia, esperando ter acesso à especialista. A rapariga prontamente me respondeu: "A Engenheira Fábia sou eu". Com a licenciatura em Engenharia Civil a Fábia estava agora atrás de um balcão. Era especialista em tabelas de preços e fornecedores. Infelizmente pouco me poderia ajudar no tipo de aconselhamento informático que eu precisava, mas indicou-me um excelente preço para uma placa-gráfica.
A Engenheira Fábia tentou o caminho do saber, mas acabou como todos a fazer pela vida. Segundo ela em Portugal é o único caminho. Acham que ela vai querer que os filhos tenham uma licenciatura?
Afinal em Portugal o que significa estudar? E o que significa estudar numa universidade independente?
Mesmo que o Governo decida hoje que a Independente pode continuar (com um Reitor que será próximo do Governo mas com um perfil algo diferente do que a tutela desejaria) existem já danos para a instituição que poderão ser irremediáveis. Isso afectará talvez a imagem de outras instituições já afectada por um outro caso (Moderna).
Existem Universidades privadas de méritos reconhecidos. Algumas ultrapassam mesmo instituições de Ensino Superior publicas. O sucesso da Universidade Católica, sobretudo na área da Gestão, demonstra que o ensino superior privado não é sinónimo de falta de qualidade. Mas infelizmente é a excepção que confirma a regra.
E vem novamente ao de cima o dualismo entre a liberalização e a regulamentação. A pergunta aqui tem de se centrar apenas num elemento: qual garante qualidade? Sendo que essa qualidade é a garantia de futuro para o país (e o debate é muito semelhante ao da liberalização de outras áreas, como a que assistimos na arqueologia).
Poderá uma universidade privada ser uma universidade de qualidade? Sim pode, mas essa qualidade tem de ser exigida ou pelo mercado ou pelo Estado. Sinceramente acho que a força do mercado seria determinante pois consegue ser bem mais poderosa do que a força do Estado. Mas só um cândido pode acreditar que o mercado é simples e se rege pelo boa-vontade. O mercado não é bom nem é mau: é. Porque é composto por pessoas e estas não possuem um traço fundamental bom ou mau (a essência do ser-humano é ser).
O papel do Estado é exactamente esse de poder conduzir o mercado para o que pode ser o bem-comum (como na estátua em que um poderoso garanhão é domado por um ser humano).
Em Portugal o mercado (ou seja nós) não exige qualidade. Exige quantidade e baixo preço. O nosso mercado reflecte a lógica que impusemos às populações. Elas foram conduzidas neste modelo, baixo custo/baixo preço/em quantidade. Sair cedo da escola para trabalhar. Ganhar dinheiro para poder alimentar alguns sonhos à medida da (pequena) bolsa. Fazer pela vida.
Esta foi a receita do abandono escolar. Na Escola hoje como no passado, quem quer estudar é o "marrão", o "idiota", o "nabo". Aquele que não sabe nada da vida.
Em Portugal as pessoas fazem pela vida desde cedo sem pensar bem nas consequências. Vive-se no domínio da dicotomia teoria/prática com privilégio para a segunda via. O elogio da prática é o elogio do fazer pela vida. O elogio da teoria reforça apenas esta divergência. A Technê e a Poiesis foram desmembradas. E por isso mesmo é que desconfiamos tanto de quem possa saber. Por isso é que os doutorados não entram nas empresas. Aquele era o marrão que não sabe da vida face ao empresário que a ganhou a pulso. A dualidade reforça-se e a oportunidade perde-se. É uma luta pelo poder através do saber. Afinal quem sabe manda, mas continuamos perdidos sobre o que significa saber (Teoria...Prática...). Enquanto não ultrapassarmos esta divisão não estamos à altura do desafio.
Tal como a nossa pesca nunca passou de arte a tecnologia, podemos afirmar que nunca fomos modernos. Logo estamos condenados a uma espécie de pós-ante-modernidade.
O saber não se articula com o fazer. Por isso mesmo reforçaram-se as Ordens. O corporativismo tornou-se o arauto da qualidade e da regulamentação ante o Estado e o Mercado. As licenciaturas em Engenharia tornaram-se a caricatura de tudo isto.
Ainda me lembro da Engenheira Fábia. A história conta-se rapidamente. O Gabinete de Informática do IPT indicou-me uma loja de informática que prestava bons serviços. Disseram-se para contactar a Engenheira Fábia. Pensei logo que se trataria de alguém formado em Engenharia Informática que poderia prestar a melhor assistência aos meus problemas. Pensei "Que sorte, temos uma casa de informática que presta serviços de qualidade e com acompanhamento profissional!!". Cheguei à loja. O espaço era igual ao de muitas lojas de informática. Uma jovem estava no balcão. Perguntei pela Engenheira Fábia, esperando ter acesso à especialista. A rapariga prontamente me respondeu: "A Engenheira Fábia sou eu". Com a licenciatura em Engenharia Civil a Fábia estava agora atrás de um balcão. Era especialista em tabelas de preços e fornecedores. Infelizmente pouco me poderia ajudar no tipo de aconselhamento informático que eu precisava, mas indicou-me um excelente preço para uma placa-gráfica.
A Engenheira Fábia tentou o caminho do saber, mas acabou como todos a fazer pela vida. Segundo ela em Portugal é o único caminho. Acham que ela vai querer que os filhos tenham uma licenciatura?
Afinal em Portugal o que significa estudar? E o que significa estudar numa universidade independente?
terça-feira, março 20, 2007
Desolatione - Desolata est terra
"Desolada ficou toda a terra, por não haver ninguém que reconsidere no seu coração"
Jr 12, 11
"But the rock needs incisions
And the earth needs furrows,
Would be desolate else, unabiding"
Holderlin, "The Ister"
Jr 12, 11
"But the rock needs incisions
And the earth needs furrows,
Would be desolate else, unabiding"
Holderlin, "The Ister"
segunda-feira, março 12, 2007
A imagem do mundo
NASA, Whole world: land and oceands (Fonte: wikipedia)
"Cuando meditamos sobre la Edad Moderna nos preguntamos por la moderna imagen del mundo. La caracterizamos mediante una distinción frente a la imagen del mundo medieval o antigua. Pero ¿por qué nos preguntamos por la imagen del mundo a la hora de interpretar una época histórica? ¿Acaso cada época de la historia tiene su propia imagen del mundo de una manera tal que incluso se preocupa ya por alcanzar dicha imagen? ¿O esto de preguntar por la imagen del mundo sólo responde a un modo moderno de representación de las cosas?
¿Qué es eso de una imagen del mundo? Parece evidente que se trata de eso: de una imagen del mundo. Pero ¿qué significa mundo en este contexto? ¿Qué significa imagen? El mundo es aquí el nombre que se le da a lo ente en su totalidad. No se reduce al cosmos, a la naturaleza. También la historia forma parte del mundo. Pero hasta la naturaleza y la historia y su mutua y reciproca penetración y superación no consiguen agotar el mundo. En esta designación está también supuesto el fundamento del mundo, sea cual sea el tipo de relación que imaginemos del fundamento con el mundo (5).
La palabra ‘imagen’ hace pensar en primer lugar en la reproducción de algo. Según esto, la imagen del mundo sería una especie de cuadro de lo ente en su totalidad. Pero el término ‘imagen del mundo’ quiere decir mucho más que esto. Con esa palabra nos referimos al propio mundo, a él, lo ente en su totalidad, tal como nos resulta vinculante y nos impone su medida. ‘Imagen’ no significa aquí un calco, sino aquello que resuena en el giro alemán: ‘wír sind über etwas im Bilde’, es decir, ‘estamos al tanto de algo’. Esto quiere decir que la propia cosa se aparece ante nosotros precisamente tal como está ella respecto a nosotros. Hacerse con una imagen de algo significa situar a lo ente mismo ante si para ver qué ocurre con él y mantenerlo siempre ante sí en esa posición. Pero aún falta una determinación esencial en la esencia de la imagen. «Estar al tanto de algo» no sólo significa que lo ente se nos represente, sino que en todo lo que le pertenece y forma parte de él se presenta ante nosotros como sistema. «Estar al tanto» también implica estar enterado, estar preparado para algo y tomar las consiguientes disposiciones. Allí donde el mundo se convierte en imagen, lo ente en su totalidad está dispuesto como aquello gracias a lo que el hombre puede tomar sus disposiciones, como aquello que, por lo tanto, quiere traer y tener ante él, esto es, en un sentido decisivo, quiere situar ante sí (6). Imagen del mundo, comprendido esencialmente, no significa por lo tanto una imagen del mundo, sino concebir el mundo como imagen. Lo ente en su totalidad se entiende de tal manera que sólo es y puede ser desde, el momento en que es puesto por el hombre que representa y produce. En donde llega gen del mundo, tiene lugar una decisión esencial sobre lo ente en su totalidad. Se busca y encuentra el ser de lo ente en la representabilidad de lo ente."
Heidegger, [1938] La época de la imagen del mundo [Die Zeit des Weltbildes], in Heidegger in Castellano
domingo, março 11, 2007
Datability
"The datability of the 'now', the 'then', and the 'on that former occasion', reflects the ecstatical constitution of temporality, and is therefore essential for the time itself that has been expressed. The structure of the datability of the 'now', the 'then', and the 'on that former occasion', is evidence that these, stemming from temporaliy, are themselves time. The interpretative expressing of the 'now', the 'then', and the 'on that former occasion', is the most primordial way of assigning a time. In the ecstatical unity of temporality—which gets understood along with datability, but unthematically and without being recognizable as such—Dasein has already been disclosed to itself as Being-in-the-world, and entities withinthe-world have been discovered along with it; because of this, interpreted time has' already been given a dating in terms of those entities which are encountered in the disclosedness of the "there": "now that—the door slams"; "now that—my book is missing", and so forth."
Heidegger, B&T, pág. 461
Heidegger, B&T, pág. 461
O Medo
Fonte: O blog do rapaz
O Medo - uma característica Inautêntica.
O Medo revela o domínio que os outros têm em nós. Deixamos de avaliar por nós para avaliar perante a perspectiva dos outros. Temos de perceber uma coisa simples: existe sempre um outro que terá uma opinião. Mas não existe apenas um outro, existem os outros logo teremos sempre um sem número de opiniões diferentes.
O capitalismo de hoje joga duplamente com o medo. Por um lado pede às pessoas criatividade, por outro inventa-lhes novas ameaças (o ébola, a gripe das aves, a possibilidade de um asteróide colidir com a terra...). É que a criatividade absolutamente à solta é um problema. Assim, as ameaças passam para o dia-á-dia de todos, de modo a que se tornem na sua preocupação, ocultando ou não outras ameaças (o despedimento, a invasão da vida privada, o cruzamento de dados, a vigilância omnipresente...). Existem perigos dos quais nós nem sequer estamos cientes.
Perante o medo o que podemos fazer? Aqui sigo profundamente Heidegger: resolutamente atirar-nos para a frente. Nós efectivamente vamos morrer um dia, o que fazemos até lá depende de nós.
A outra alternativa não nos serve. Ela é o ceder ao medo (ao medo da opinião dos outros, ao medo de falharmos, ao medo de...), mas essa cedência resulta na imobilidade, tal como o individuo que não sai de casa com medo de...
Ter medo é fechar-se em si próprio. Arriscar resolutamente é avançar no nosso propósito. Correu mal? Aprendemos! A existência baseia-se em aprender! É por isso que é preciso arriscar se não nunca aprendemos. Afinal não é isso que queremos?
Experimentar é correr o risco, mas só assim aprendemos.
Não se trata de arriscar a provocar a própria morte. É o arriscar as nossas ideias (o que em certas situações nos pode efectivamente conduzir à morte, mas a morte não é um despedimento, ou uma reprovação, é a morte mesmo, é o deixar literalmente de existir).
O correr mal não advém da opinião dos outros. Corre mal porque não cumpriu os nossos propósitos, ou por circunstâncias, ou porque erramos (somos humanos). Por isso é que acho engraçado a questão do "cair em desgraça". Quem age pelo medo tem sempre este receio, mesmo que esteja na posição mais confortável. Experimentar não se coaduna com o medo. Nós não caímos em desgraça, nós caímos para a opinião dos outros! Mas isso vale o que vale.
Só quando cumprirmos com uma cultura do risco é que podemos aprender pela experiência. É o vivermos num mundo feito de várias caminhos que se arriscam para a frente. É isso que faz com que haja variedade nas ideias (porque é que será que noutros países se aprovam teses que aqui não seriam nunca aprovadas? Aqui somos todos os dias convidados a sair para podermos desenvolver efectivamente as nossas ideias dado a cultura imposta do medo).
Max Weber escreveu o famoso trabalho sobre a ligação da religião protestante com o capitalismo. Não tenho a mínima da dúvida da relação. Alguém que se rege pela salvação como um acto do próprio está habituado a pensar por si (e a interpretar por si num culto à hermenêutica). Alguém que se rege pelo julgamento dos seu actos por outrem (seja Deus ou os outros) estará para sempre envolto numa cultura do medo.
Há quem veja nisto uma apologia do individualismo. Não percebe algo que alguém de uma cultura protestante percebe desde início: o agir por mim não significa que não actue em prol dos outros (o Bem comum). Mas o prol do outros não significa o medo dos outros.
"Fear discloses Dasein predominantly in a privative way. It bewilders us and makes us 'lose our heads'. Fear closes off our endangered Being-in, and yet at the same time lets us see it, so that when the fear has subsided, Dasein must first find its way about again.
Whether privatively or positively, fearing about something, as beingafraid in the face of something, always discloses equiprimordially entities within-the-world and Being-in—the former as threatening and the latter as threatened. Fear is a mode of state-of-mind.
One can also fear about Others, and we "then speak of "fearing for" them [Fürchten für sic]. This fearing for the Other does not take away his fear. Such a possibility has been ruled out already, because the Other, for whom we fear, need not fear at all on his part. It is precisely when the Other is not afraid and charges recklessly at what is threatening him that we fear most for him. Fearing-for is a way of having a co-state-of-mind with Others, but not necessarily a being-afraid-with or even a fearingwith-one-another. One can "fear about" without "being-afraid". Yet when viewed more strictly, fearing-about is "being-afraid-for-oneself". Here what one. "is apprehensive about" is one's Being-with with the Other, who might be torn away from one. That which is fearsome is not aimed directly at him who fears with someone else. Fearing-about knows that in a certain way it is unaffected, and yet it is co-affected in so far as the Dasein-with for which it fears is affected. Fearing-about is therefore not a weaker form of being-afraid. Here the issue is one of existential modes, not of degrees of 'feeling-tones'. Fearing-about does not lose its specific genuiness even if it is not 'really' afraid."
Heidegger, B&T, pág.181
sábado, março 10, 2007
O passado foi lá atrás????
"Entities do not become 'more historical' by being moved off into a past which is always farther and farther away, so that the oldest of them would be the most authentically historical. On the other hand, if the 'temporal' distance from "now and today" is of no primary constitutive significance for the historicality of entities that arc authentically historical, this is not because these entities are not 'in time' and are timeless, but because they exist temporally in so primordial a manner that nothing present-at-hand 'in time', whether passing away or still coming along, could ever—by its ontological essence—be temporal in such a way."
Heidegger, B&T, pág. 433
Heidegger, B&T, pág. 433
Lord Jim
Poster original do filme Lord Jim.
Fonte: Wikipedia
"On the lower deck in the babel of two hundred voices he would forget himself, and beforehand live in his mind the sea-life of light literature. He saw himself saving people from sinking ships, cutting away masts in a hurricane, swimming through a surf with a line; or as a lonely castaway, barefooted and half naked, walking on uncovered reefs in search of shellfish to stave off starvation. He confronted savages on tropical shores, quelled mutinies on the high seas, and in a small boat upon the ocean kept up the hearts of despairing men—always an example of devotion to duty, and as unflinching as a hero in a book.
'Something's up. Come along.'
He leaped to his feet. The boys were streaming up the ladders. Above could be heard a great scurrying about and shouting, and when he got through the hatchway he stood still—as if confounded"
Joseph Conrad, Lord Jim (disponível livremente em Project Gutemberg)
E ainda nas palavras de Conrad (do Prefácio)
"I have been asked at times whether this was not the book of mine I liked
best. I am a great foe to favouritism in public life, in private life,
and even in the delicate relationship of an author to his works. As a
matter of principle I will have no favourites; but I don't go so far
as to feel grieved and annoyed by the preference some people give to
my Lord Jim. I won't even say that I 'fail to understand . . .' No! But
once I had occasion to be puzzled and surprised.
A friend of mine returning from Italy had talked with a lady there who
did not like the book. I regretted that, of course, but what surprised
me was the ground of her dislike. 'You know,' she said, 'it is all so
morbid.'
The pronouncement gave me food for an hour's anxious thought. Finally
I arrived at the conclusion that, making due allowances for the subject
itself being rather foreign to women's normal sensibilities, the lady
could not have been an Italian. I wonder whether she was European at
all? In any case, no Latin temperament would have perceived anything
morbid in the acute consciousness of lost honour. Such a consciousness
may be wrong, or it may be right, or it may be condemned as artificial;
and, perhaps, my Jim is not a type of wide commonness. But I can
safely assure my readers that he is not the product of coldly perverted
thinking. He's not a figure of Northern Mists either. One sunny morning,
in the commonplace surroundings of an Eastern roadstead, I saw his form
pass by--appealing--significant--under a cloud--perfectly silent. Which
is as it should be. It was for me, with all the sympathy of which I was
capable, to seek fit words for his meaning. He was 'one of us"
Essa talvez seja a mais extraordinária questão: o modo como nos assemelhamos uns aos outros na questão do ser. Hoje lia na Science que parece que mesmos os ratos possuem essa capacidade interior de serem. Não me espanta. Olho para a minha gata e intuo o mesmo.
Ser...
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