terça-feira, maio 09, 2006

Jornadas de Gestão do Território e do Património Cultural




Mais pormenores em breve, incluido programa completo das actividades.
Uma iniciativa do Nucleo de Estudantes de Gestão do Território e do Patrmónio Cultural.

Educação como chave do sucesso - Nível de vida espanhol poderá igualar o alemão dentro de dois anos

Antes de transcrever esta notícia de hoje do Público gostaria de chamar a atenção para a manchete de há umas semanas: Socrates fecha cursos com menos de 20 alunos.

"Espanha poderá alcançar dentro de dois anos o mesmo rendimento per capita da Alemanha, que continuará ainda assim a ter o maior Produto Interno Bruto da União Europeia, indica um estudo do Deutsche Bank divulgado hoje pelo diário alemão "Die Welt".

O estudo do banco alemão dedica especial atenção ao acréscimo acentuado de novos licenciados em Espanha, situação que deverá permitir um crescimento de 50 por cento na produtividade do país em 2020.

Segundo o Deutsche Bank, a educação é o factor que mais prosperidade trouxe a Espanha, com mais investimento no ensino secundário e universitário, permitindo que 37 por cento dos espanhóis entre os 25 e os 34 anos tenham cursos universitários, comparativamente com os 20 por cento da Alemanha durante várias décadas.

"O motor do aumento do rendimento per capita não assenta nos investimentos nem no desenvolvimento demográfico, mas sim no capital humano do país", explica o estudo."

In Publico 9-05-2004 (noticia completa em: http://publico.clix.pt/shownews.asp?id=1256541&idCanal=63)

Holocénico - Desassossegos

Tinha eu apelado à memória do Holocénico e eis que ele estava online, com novo projecto: http://acv-desassossegos.blogspot.com/
Em boa hora regressou :) Paz à memória do Holocénico, que viva o desassossego.
Era bom se um dia o Arqueoblogo do Marcos também regressasse. Era um outro bom projecto. Mas de qualquer modo o arqueo-blogo do um arqueólgo e uma arqueóloga não se saiu nada mal num primeiro post :) Esperemos que o futuro também lhes sorria.

segunda-feira, maio 08, 2006

Ah, estes pós modernos...

Após o Pós-processualismo a teoria em arqueologia tornou-se obrigatória.
Embrenhando-se na mais avançada filosofia, tenta-se escavar para arranjar o último grito em epistemologia. Uma espécie de competição no qual a filosofia se tornou num gadget, em que importa ter a última versão, o último grito da moda.
E ele é Fenomenologia e Heidegger e Merleu-Ponty e Husserl, e não há texto que se preze que não se veja obrigado a citar Focault.
Quem irá ter o prémio de levantar o último paradigma?
Muitos já repararam nesta competição, que se tornou demasiado óbvia, e falam assim da “last minute theory” (vide a discussão num blog aqui ao lado - http://arqueo-blog.blogspot.com/).
Não é a primeira vez que temos uma discussão sobre teoria e arqueologia na blogosfera. O extinto Holocénico (hoje fossilizado em livro, outrora http://www.holocenico.blogspot.com/ paz à sua memória) abordava com alguma frequência questões deste tipo.
Teóricamente deixamos a prática, mas como todos já vimos não há distinção entre uma e outra.
Por exemplo, a prática da arqueologia empresarial é um paradigma em absoluto, com todos os problemas que se vêem. E não é o facto de uma empresa de arqueologia publicar artigos sobre teoria que lhe modifica o cerne (podendo mesmo ser uma máscara deveras interessante).

Thomas(2004) aponta algo que creio ser consensual:

"Archaeology, perhaps as much as any other discipline, is steeped in the implicit and explicit presuppositions of modern thought" (pág. 17)

E é perante esta inevitabilidade que o mesmo autor se questiona:

"Yet if archaeology could only have been generated in the context of the modern world, where does that leave it today?" (pág. 31)

E conclui pós-modernamente:

"The ethical task of archaeology is to bear witness to the other human being in his or her difference" (pág. 32)

A Arqueologia da contemporaneidade está longe de ser isto. Ela é a arqueologia do National Geographic, do documentário sobre a gladiadora romana que parte apenas de uma lucerna descoberta em Londres. Imaginação, virtualidade.
Esta pós-modernidade não advém do pós-processualismo. Vem do tempo da televisão e dos media, da sede pela grande descoberta, do conhecimento intimo do passado, da imaginação e mistério sobre essas entidades a que chamamos “nossos antepassados”. Algo que tem pautado desde sempre a arqueologia e que nela tem sempre sobrevivido e que tem vindo a ganhar cada vez mais força.
É assim que num Natal qualquer surge mais um menino Jesus, meio Neanderthal, estudado pelos melhores especialistas a nível mundial e tudo cola.
E agora o que acham que vai ser a arqueologia? Ou melhor o que é que iremos fazer com que seja esta coisa chamada arqueologia?

Continua – esperando sugestões

Thomas, J. (2004) – “Archaeology’s Place in Modernity” in Modernism/modernity vol.11 Nº1 - http://traumwerk.stanford.edu/projects/MichaelShanks/759

domingo, maio 07, 2006

Debate


Num blog ao lado (http://arqueo-blog.blogspot.com/) está a surgir uma discussão interessante, que parte de uma espécie de manifesto escrito num 25 de Abril.
Sinceramente acho que depois do boom da arqueologia empresarial, do Côa, do Alqueva, das fusões, do impacto pós-processual, etc, estamos finalmente a atingir um ponto de maturação em termos de arqueologia portuguesa. A discussão parece poder começar a tornar-se interessante. Talvez...

segunda-feira, maio 01, 2006

Evolução

Se há algo que considero ser um dos maiores progressos da arqueologia (e da ciência em geral), é o modo como nos últimos anos se rejeitou a visão de cúmulo da história e de evolução em geral (e sim a utilização do termo progresso é um paradoxo propositado).
A ontogenia sobrepôs-se gradualmente à evolução, numa crença de que o processo histórico (visto enquanto tempo que se sucede e que vai dando lugar ao que nós somos) é cheio de acasos onde nem sempre o mais forte sobrevive.
Aliás quer o acaso, quer a emergência, tornaram-se conceitos progressivamente dominantes, ligados a movimentos como a Teoria do Caos (1) ou ao conceito de Sistemas Adaptativos Complexos (2).
Pergunto-me sobre quantos membros da chamada comunidade arqueológica é que ainda vêm os homens da pré-história como os nossos tetravós, ou acreditam que por aqui nesta Península ainda vivem essencialmente os descendentes dos bravos Lusitanos.
Por outro lado, num mundo cada vez mais envolto nas teias do ideário neo-liberal (para os menos avisados, vide p. ex. o programa "Iniciativa" da RTP2, com o apoio do IQF e a sua apologia do "empreendedor" importação do "entrepeneur") é interessante ver como cada vez mais gente concorda de que a lei da selva não é um princípio universal, e muito menos um princípio universal.
Uma vez, no final de um jantar o Juan Manuel Vicent disse-me algo como "Isto não é inocente. É um combate entre nós e eles, para demonstrar que ao contrário do que eles dizem a História não apenas assim, nem tem apenas os seus princípios".
A frase está obviamente ligada a um marxismo evidente, com cunhos de leninismo (a figura "deles" - o inimigo). Aliás, penso que devido a este cunho leninista, houve uma especial preocupação numa dominância da visão marxista, com laivos de um totalitarismo, que não deixa de ser interessante e que é coerente com a visão de combate. Ainda para mais quando a própria visão marxista possui muito de evolucionista, o que daria uma interessante conversa sobre o que é a visão de Marx e a sua figura, num dos temas que mais aprecio e que trata de como nenhuma figura escapa às vicissitudes da sua época, mas isso é uma outra longa conversa.
Na sociedade do bem-estar é difícil não acreditar em conceitos como progresso e evolução. Quando os pais se preocupam por deixar um legado melhor aos seus filhos e a qualidade de vida cresce.
Em tempos à beira de crise, como são estes em que vivemos, advinha-se que quando vierem tempos piores, viram também outras visões, nos quais o conceito de progresso será claramente posto em causa. Dir-se-á então que o progresso não é continuo. Que varia num movimento pendular, feito de avanços e recuos.
De um teclado, em frente a um ecrã de computador declaro que não acredito em progresso, nem em evolução. De todo.
É verdade que nunca tivemos tantos meios à nossa disposição (e eu que adoro chips, adoro também esta proliferação de tecnologias e meios), mas não acredito que isso nos torne melhores.
Não acredito que sejamos uns privilegiados. Aliás, sobre esta noção remeto para o brilhante artigo do Rui Borges, publicada no Público de Sábado passado (29/4/2006) "Socorro, somos todos privilegiados". Os privilegiados não são aqueles que não passam fome, ou que não têm horários de trabalho de 14 horas semanais. Os que estão nestas condições são os carenciados (o que vai dar à crónica da Helena Matos, que está mesmo ao lado da do Rui Borges, na mesma edição). Nós quanto muito seremos os remediados, a quem os verdadeiros privilegiados acusam de, imagine-se, privilégio, procurando novos modos de escravatura. Porque não nos enganemos, hipotecar uma vida de trabalho é um modo de escravatura perante outrem. E se é verdade que seremos sempre escravos de algo e de outros, é bom que pensemos perante quem nos estamos a escravizar. Será um dos últimos privilégios dos remediados.
Para quem (re)constrói o passado, é bom que não sejamos politicamente inocentes, mas também é bom que o nosso empenho político seja claro e eticamente equilibrado (no sentido de não entrar já na paranóia (3)), porque se tudo é política, em ciência há politicas e politicas, políticos e políticos.

(1) sobre esta matéria vide: Gleik, John (1989) – Caos: A Construção de uma Nova Ciência, Gradiva
(2) vide Holland, J. (2002) – A ordem oculta, Gradiva e/ou Gell-Man, Murray (1997) O Quark e o Jaguar, Gradiva
(3) Paranóia - do Gr. paránoias, delírio s. f., doença mental caracterizada pelo conceito exagerado que de si mesmo faz o doente que se julga incompreendido e superior ao seu meio, tendo por vezes delírios de grandeza ou de perseguição; gír., (no pl. ) ideias persecutórias desencadeadas pelo consumo de drogas psico-estimulantes ou psicodislípticas (fonte Dicionário de Português online da Primberam).

quarta-feira, abril 26, 2006


Do lado direito o West Acres shoping. Nao e apenas o edificio. E todo um quarteirao enorme. Mete 5 Colombos e 3 NorteShpoings num cantinho. E isto que Fargo e uma cidade pequena!!!!

Eis ao fundo o Ramada Plaza (edificio branco) onde o CAA deste ano teve lugar. Como podem ver e muito inospito para as pessoas andarem. Os americanos sao gordos porque nao sabem o que e andar a pe. Todos andam nas suas grandes Pick up's.